O USO DAS SMART GRIDS NO COMBATE À CRISE HÍDRICA

 

Por Thomas Strasser, Diretor de Mercado Civil e Parceria Público-Privada

 

No dia 28 de junho de 2021, o governo brasileiro anunciou uma medida provisória que dá poderes ao ministro de Minas e Energia para o enfrentamento da crise hídrica que vem ocorrendo no país.

Os problemas de crise hídrica e energética são uma realidade no Brasil e no mundo, assim como a expansão dos centros urbanos. Mas aí, fica a pergunta: o que poderia ser feito, então, para que essas crises deixassem de acontecer?

A resposta não é simples. Provavelmente requer uma série de ações que tornem as cidades mais inteligentes e mais autossustentáveis.

Uma das soluções que pode contribuir para um sistema mais autossustentável é a criação de redes de fornecimento de energia inteligentes, as chamadas smart grids.

Mas como uma smart grid pode contribuir? Elas funcionam como um sistema bidirecional, por meio do qual medidores inteligentes dão informações em tempo real sobre a demanda de consumo e sobre possíveis problemas na rede. A aplicação de tecnologia da informação nessas redes transforma o monitoramento e o fornecimento em um mecanismo mais preciso.

A produção de energia por parte das fontes renováveis oscila conforme as condições do tempo e, por isso, demandam o amplo sensoriamento da rede e uso de ferramentas de controle que compensem essas variações.

Nas smart grids é possível anexar os pequenos geradores de energia de fontes renováveis, como painéis solares, turbinas eólicas e outros. O fornecedor pode utilizar essa energia e vender o excedente para a rede.

Com as smart grids também é possível criar tarifas customizadas com base nos horários de consumo de energia. O usuário da rede também pode saber de antemão quanto será cobrado no mês.

Com a aplicação de tecnologia da informação nas redes de energia é possível monitorar problemas na rede e em muitos casos resolvê-los remotamente. O controle mais preciso da geração de energia por parte das distribuidoras permitiria o armazenamento de energia gerada fora dos horários de pico em baterias para uso posterior.

Diante de tantos benefícios, porque o Brasil não adota definitivamente as smart grids? Essa resposta é mais simples: porque os equipamentos ainda são caros e há dificuldade em calcular o retorno sobre o investimento.

Apesar disso, diversas cidades brasileiras foram palco de projetos pilotos, como Sete Lagoas (MG), Parintins (AM), Aparecida (SP), Armação de Búzios (RJ), entre outras. Todos esses projetos podem trazer uma nova visão estratégica condizente com nossa realidade socioeconômica e, quem sabe, servir de modelo para futuros projetos.

Alguns fatores que podem impulsionar a adoção de smart grids são o ganho de espaço por parte dos padrões tecnológicos abertos e interoperáveis na indústria; o aumento da demanda por tecnologias de smart grid; e a evolução de políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento das cidades inteligentes.

Uma alternativa para diminuir o custo de implantação de uma smart grid pode ser a criação de cidades inteligentes que possuam diversos serviços que necessitem de uma smart grid. Dessa forma os gastos das distribuidoras podem ser divididos entre os diversos players envolvidos no projeto.

Embora, no momento, pareça que o Brasil tem um longo caminho a percorrer para alcançar outros países no que diz respeito à implantação e ao uso de smart grids, pode ser que a necessidade desse recurso acabe sendo o fator decisivo para sua aplicação.